Árvore e progresso são mesmo incompatíveis?

Árvore é um sinônimo de vida. Ela não só é viva, mas também dá vida. Alimenta as aves e lhes dá proteção. Purifica o ar, produz oxigênio. Previne a erosão do terreno com as suas raízes. Previne enchentes. Fomenta a existência de córregos e rios. Combate o excesso de calor e regula a humidade do ar. Para não falar na beleza que difunde ao redor de si.

Capa do livro A árvore. Ilustração do próprio autor.

Mas por que o assim chamado progresso tem tanta dificuldade em aceitar e respeitar a sua existência? Por que ela é tão hostilizada, especialmente nos meios urbanos, que, na verdade, teriam tanta necessidade dela?

Pois bem, muita gente a considera um estorvo: as folhas que deixa cair, consideradas “sujeira”, dão trabalho para “limpar”; ela toma lugar do estacionamento de carros; ela atrapalha a fiação elétrica; na cidade, precisa ser monitorada e podada de tempos em tempos, para evitar que galhos caiam na cabeça das pessoas ou nos carros…

Será que somos tão pouco inteligentes assim, que não sabemos reconhecer o valor da árvore para as nossas próprias vidas e incluí-la no nosso conceito de “progresso”?

É disso que trata, ainda que na forma de um conto recheado de suspense e  ironia, o livro A árvore, de Roberto Carvalho de Magalhães. Neste caso, a beleza de uma árvore imensa é sentida como uma ameaça pela população de um vilarejo em Connecticut, nos EUA (mas a história poderia ter ocorrido em qualquer lugar do mundo). Pois a árvore se encontra perto de uma longa sucessão de postes e fios elétricos, que levam energia à cidadezinha.


Ilustração de Roberto Carvalho de Magalhães para o livro A árvore.

O medo irracional, a propensão a ver a árvore como um inimigo e não como um aliado e a falta de boa vontade em considerar soluções para a boa convivência dela com a necessidade de garantir o fornecimento de eletricidade à população determinam um desfecho triste – não somente para a árvore, mas para todo o vilarejo.

Paramos por aqui. Vale a pena ler a história e se deliciar com as ilustrações e descobrir o que acontece. O livro, aconselhável a todas as faixas etárias, levanta uma questão crucial no mundo contemporâneo, expressa com clareza no texto da contracapa: “… quais são os nossos sonhos? o que é realmente importante no lugar onde vivemos? qual a consequência das escolhas que fazemos? A árvore nos coloca diante da exuberância da natureza e, com humor, sensibilidade e afeto, nos induz a refletir acerca da relação do homem com ela”.

A árvore, de Roberto Carvalho de Magalhães (SESI-SP Editora, 2017), está disponível no site www.sesispeditora.com.br/catalogo/ ou na própria livraria do SESI, Av. Paulista, 1313, Bela Vista, São Paulo, SP.

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